Roda Mabuluco

Se vendássemos os olhos, quantos sonhos desapareceriam?

Esta foi a pergunta que Roda fez quando conheceu Mónica, a estudante de geografia cega que não conseguia ver mapas e teve que mudar de curso.

Aos 20 anos, Roda começou uma relação com a Inclusão. Quando se conheceram, a Inclusão disse-lhe:

– Gosto de ti!

A Roda respondeu: – Eu também!

Esta não é uma história de amor entre duas pessoas, mas sim entre uma missão perdida e uma limitação física, que um dia se juntaram para inventar luz. A missão da Roda andava perdida desde o tempo em que o medo do escuro se instalou no enorme canhueiro que existia na sua casa e servia de abrigo para milhares de khukhuas (bichinhos de que ela tinha medo).

Quando conheceu a Mónica foi um encontro com a luz que ela há anos procurava. Ao início ficou feliz, depois paralisada. Do outro lado do medo, estava sempre o seu irmão Crispim a desafiá-la para superar-se mais e mais. Durante um intercâmbio no Brasil descobriu o mundo dos mapas táteis. Terminou o curso com um foco a iluminar-lhe o caminho mas foi na Girl Move que este se tornou nítido.

Roda estagiou na ESRI. O primeiro objetivo do estágio foi muni-la de ferramentas práticas e fornecer-lhe formação. Depois conheceu alguns professores universitários que desenvolvem trabalho nesta área e que partilharam consigo softwares, dicas e estratégias que usam com os seus alunos cegos.

O estágio culminou com dois projetos, em que Roda, ajudada pelos mentores, adaptou aplicações já existentes e combinou-as com outras ferramentas digitais para simplificarem a mobilidade de pessoas cegas na via pública. Depois do estágio, conheceu três associações que trabalham com outro tipo de deficiências- a CERCICA, a Associação Salvador e a EKUI- ainda o Movimento de Expressão Fotográfica (MEF).

Numa primeira fase, Roda quer continuar a investigar e está decidida a tirar o mestrado de Sistemas de Informação Geográfica. Mas o grande plano para firmar o amor à causa da inclusão é criar um laboratório para produzir mapas táteis, onde também dará formação a professores do ensino básico em cartografia tátil.

E assim surge, na voz de Roda, a resposta à pergunta que a empurrou para a sua missão “Enquanto houver mãos e medos para tatear, os sonhos não desaparecem, crescem!”